Cinco Poetas entre dois rios (sobre a poesia curda e afegã)
«Tenho pousado o ouvido sobre o coração/ da terra. /Falava de amor, do seu amor/pela chuva,/ a terra.»
Sherko Bekas, poeta da resistência curda.
Ouvintes das línguas árabes, tanto a língua dos média, como a do Corão, não consideramos que as mesmas sejam muito felizes para a fala poética. O idioma árabe, de um modo geral, é áspero e gutural, mas a significação e a intimidade das palavras podem ser preciosas e então, como diria o poeta William Carlos Williams, ouve-se o sentido, quer seja em tradução para o português, inglês ou o italiano.
Os versos com os quais abrimos este artigo, sugerem-nos essa dimensão em que o sentido se transforma em sentimento da pátria, embora nos apareçam numa terceira língua de chegada (foram traduzidos do italiano).
A forma expressiva, até a irregularidade da sua métrica, seja como for propiciam o cântico, e, sobretudo, não se distanciam dos recursos da poética moderna. O seu autor, Sherko Bekas, nascido em 1940, ministro da Cultura da Região autónoma do Curdistão iraquiano em 1992, reúne na sua actividade poética o lirismo e a luta da resistência curda, o som telúrico de alguma da sua poesia não evidencia nenhum desusado bucolismo, é mais poesia para preparar a terra para um combate pela identidade.
artigo assinado por J. T. Parreira.

J.T. Parreira
Dou-lhe os parabéns por este artigo. Não conhecia nada da poesia Curda e Afegã. Li o artigo todo e fiquei fascinada. Muito obrigada, porque me deu a oportunidade de aprender, conhecer.
Um abraço
Comment por Betty Branco Martins — May 18, 2005 @ 11:38 pm