Extensão para um poema
Já não caibo dentro deste poema. Não oiço
porque minha voz se extinguiu
nem repercussão deixou no ar. Cheira a cinza
este poema é só um filamento de mim. Que me corta o
decurso me esfarrapa o peito e
me aperta de nostalgia
Fui embora… porque não cabia neste exíguo espaço
onde não existia lugar para mim.
Esta inquietação é seca… morrerá
a escassear de água
não extrairá um verso
sequer e nada será
escrito na penumbra e na afabilidade
da minha transparência…
© Piedade Araújo Sol
Funchal, 21 de Maio de 2005

SOBERBO!… Sublime este teu poema. São as únicas palavras que me saem, bem dentro de mim, deixar fluir através dos meus dedos, deslizando sobre o teclado, procurando cada sílaba, para dar forma às duas palavras que escrevo.
SOBERBO… SUBLIME!
Um beijo
Comment por Betty Branco Martins — May 22, 2005 @ 11:42 pm
Só posso dizer timidamente.OBRIGADA!!!
Pi
Comment por Piedade Araujo Sol — May 23, 2005 @ 7:08 am
Como um rio beija o mar eu beijei este poema, nesta hora, neste dia que passeei a alma num encontro com as palavras. Meu nome é Jamour, talvez um dia saberei dizer que conheci Piedade Araújo Sol através das palavras. Beijo grande
Comment por Jamour — May 23, 2005 @ 9:17 am
Quando não cabemos no sentir, desenhamos um poema com as sobras das lágrimas que não gritaram, por isso nunca cabemos inteiros num poema. Um poema inteiro não cabe numa vida, mas numa vida, (um único instante dela, até…) sente-se, em cada gota, o maravilhar da emoção, que cada pequeno nada que nos oferece no existir…
Comment por almaro — May 23, 2005 @ 11:12 am
piedade,
o dia hoje anda cheio de pressas e eu estou a passar por ele em passos de corrida, sei que estou a ser chato mas vou corrigir de novo o que te escrevi, assim deve ler-se:
Quando não cabemos no sentir, desenhamos um poema com as sobras das lágrimas que não gritaram, por isso nunca cabemos inteiros num poema. Um poema inteiro não cabe numa vida, mas numa vida, (um único instante dela, até…) sente-se, em cada gota, o maravilhar da emoção, que cada pequeno nada nos oferece no existir…
obrigado pela paciência
Comment por almaro — May 23, 2005 @ 2:43 pm
Bem vinda ao mundo dos blogs. Mas agora vais ter que levar com os comentários em cima
Comment por Mário — May 23, 2005 @ 11:16 pm