Farsa
Não queria estar infeliz. Meus olhos opacos
oscilam entre as lembranças. O pesar
é tudo o que resta. Suprimo a mim mesma
a falsidade. E sei que foram só mentiras
não tem término nem princípio. É mentira
tudo faz parte de um jogo. Um passatempo
com pedras viciadas
estigmatizado com precedência. O sol teima em
assomar. Mas para mim é só escuridão
tristeza dentro de mim
Dor rasgada que me machuca
como gumes de uma navalha afiada
quis aceitar a mentira como verdade
e na minha permanente confusão
sempre me enganei
mentiras, equívocos, promessas vagas
quero acordar deste marasmo
bate-me, sacode-me
deixa que a loucura tome conta de mim
Estou louca!
louca de dor, alienada por manter
a grilheta desta ilusão….
© Piedade Araújo Sol
Funchal, 25 de Maio de 2005

a mentira não faz parte do jogo, é uma encenação macabra de uma vida que não existe, é uma ilusão incontrolada e demente. A mentira só existe quando não há caminho. Se traçaste o teu caminho seja ele qual for e o percorreres passo a passo , não terás dificuldade em perceber que a mentira só te pode afectar se entrares no jogo dela. A vida é tão mais importante do que esses pequenos-grandes nadas. O zero é uma invenção, não existe, e a mentira é isso mesmo um zero, redondo, vazio, é cenário, não é vida. Quanto muito, batemos palmas no fim do acto, se o espectáculo for de qualidade irrepreensível. A mentir é uma deformação da alma. Se te agarrares bem no teu caminho detectarás uma por uma todas as mentiras que não te cabem inteiras no olhar.
Comment por almaro — May 25, 2005 @ 10:37 pm