Laços
Não insisto. Falar de ti é como
falar para mim. Tu não me ouves
nem eu sei já o que disse
ou digo. As palavras escoam
e caem errantes
ali no chão manchado
das ruas por onde vagueamos
ou será que não são ruas
são vielas sem saída. São labirintos
repletos de líquens
Não remordo. Guardo as palavras
num cofre de desesperança
Estou cansada da expedição. É como
se chegasse de uma viagem
e afinal nunca houve largada
o barco nunca ancorou. E eu não saí deste porto
Falar para ti. E dizer que queria
ter o universo na mão. E nada
tenho, é tudo fútil
e que apenas resta um cofre
com palavras supérfluas
do qual eu perdi a chave
e não sei a senha
para desemaranhar
o sigilo para abrir e
deixar emanar estas palavras
que nunca ouvirás…
© Piedade Araújo Sol
Funchal, 26 de Maio de 2005

não é a tua mão um universo? de gestos e de descoberta? a tua mão e tudo que há de novo no Universo. o teu.
Comment por almaro — May 29, 2005 @ 3:57 pm