Obscuridade
Estáticas estão as sombras… além. São fantasmas,
acho que não!! Desaguam sobre mim como
uma prestidigitação
na cidade, nos perfumes que se misturam
com o suor do meu corpo… olho o rio
ali tão perto, lembra-me outro tempo
tão remoto, tão lembrado
as sombras complicam esta determinação
de me compreender a mim própria
Esquisita… esta agitação que me faz
querer pegar num pincel
e tentar expedir para uma tela
as sombras que vejo além
ou será cabalmente
os pensamentos perversos
e nefastos que me fazem ver
e querer apagar
as sombras da minha vida
© Piedade Araújo Sol
Coimbra 09/06/2005

um rio com sombras é um rio não mergulhado, interrompido, incompleto.
Larga uma pedra no rio e ele sorri-te.
Esse mesmo que estás a pensar…esse…esse que corre na tua (des)saudade de um fado, cantado e não ouvido.
O rio tem a cor de quem o olha, de quem o abraça, não leva nem trás fantasmas, reflecte-os.
Mergulha no rio,
lá
no fresco das águas só há sentires que se espalham pela pele.
O Mondego é o meu rio, é ele que me fala, sem sombras que me abraça quando perco os sorrisos, é ele que me seca as lágrimas, porque as lava, as leva, para o sal…
Comment por almaro — June 17, 2005 @ 4:16 pm
As sombras incomodam. Belo poema:)
Comment por wind — June 17, 2005 @ 5:07 pm
Encontro em grande neste poema, a descrição poética tão bem escrita.
Comment por Maria do Céu — June 17, 2005 @ 6:42 pm