madrigal blog de poesia

June 19, 2005

No pomar dos deuses

O vento sopra com fúria
e eu agarro-me
a este presente incerto
na esperança
que as manhãs prenhes de orvalho
tragam o unguento
que eu necessito para os meus olhos

Vejo o mundo como os cegos o vêem
só que consigo
descortinar as cores
com que pintei esta tela
pensando em ti

Vem de mansinho
e traz-me
raminhos de rosmaninho
e romãs maduras

Depois
como num jogo de cabra-cega
dar-te-ei a comer
os gomos de carne escarlate
com que se vestem as romãs

© Rogério Saviniano Telo

2 comentários »

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  1. so tender!

    Comment por eagle — June 19, 2005 @ 1:13 pm

  2. o poema foi publicado uma primeira vez, por lapso, incompleto (sem a primeira estrofe). neste momento já se encontra integral. pelo facto peço as minhas desculpas ao Rogério.

    Comment por madrigal — June 19, 2005 @ 5:58 pm

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