madrigal blog de poesia

June 27, 2005

O poeta começa o dia

Cada manhã lança âncora
ao soalho firme, olhos nos pés
como num primeiro espelho

Descer do sono
sacudir-se do pó
cósmico, das estrelas
restos da noite
e marcas dos sonhos
que resistem ainda

Já no mundo os corações
giram apertados, e entre paredes
de tijolo devassáveis
os relógios batem o tempo
em velocidade

O dia lá fora já enverga
fatos e vestidos
rigorosamente matemáticos
– não os seus –

está enfim solto no vento
ave frágil
nos olhos de Deus.

© J. T. Parreira
27-06-2005

3 comentários »

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  1. Gostei muito!

    :)

    Comment por noname — June 28, 2005 @ 8:22 am

  2. Belo

    Comment por Bébé — June 28, 2005 @ 10:16 am

  3. Senti-me bem ao ler estas suas palavras - O POEMA. Beijinho para si, Maria do Céu.

    Comment por Maria do Céu — June 28, 2005 @ 7:48 pm

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