O poeta começa o dia

Cada manhã lança âncora
ao soalho firme, olhos nos pés
como num primeiro espelho
Descer do sono
sacudir-se do pó
cósmico, das estrelas
restos da noite
e marcas dos sonhos
que resistem ainda
Já no mundo os corações
giram apertados, e entre paredes
de tijolo devassáveis
os relógios batem o tempo
em velocidade
O dia lá fora já enverga
fatos e vestidos
rigorosamente matemáticos
– não os seus –
está enfim solto no vento
ave frágil
nos olhos de Deus.
© J. T. Parreira
27-06-2005

Gostei muito!
:)
Comment por noname — June 28, 2005 @ 8:22 am
Belo
Comment por Bébé — June 28, 2005 @ 10:16 am
Senti-me bem ao ler estas suas palavras - O POEMA. Beijinho para si, Maria do Céu.
Comment por Maria do Céu — June 28, 2005 @ 7:48 pm