Rabiscos
Numa folha de papel
desenho franjas de saudade
que se misturam com o sal
das lágrimas que o nevoeiro
parece enviar e me roça a face
Desenho sulcos de sonhos
duma paz que não terei jamais
A noite cai sobre a folha
que se encontra aqui
ante meus dedos enfadados
de nada escrever
Eu olho-a e questiono as
estrelas que afloram
Na incomensurabilidade do céu
minha respiração agasalha o frio
e sai da minha boca um vapor
que se se mistura com a
saliva e me sabe a fel
São flocos de saudades
E a folha branca
voa e cai no parapeito
das minhas quimeras
olho e vejo o sonho
desvanecendo-se
Em argoladas de fumo
do cigarro semi aceso desamparado
ali no canto direito
da boca crispada
num trejeito de pesar
desvairo e nostalgia
© Piedade Araújo Sol
15.01.2005

A isto eu chamo: A leveza de um ser. Como sempre bem feito. Beijo grande
Comment por Jamour — July 7, 2005 @ 7:56 am
Mais um belo poema. Um cada vez melhor do que o outro!!
Comment por Bébé — July 7, 2005 @ 8:30 am
Tudo que pudesse dizer poderia estragar o “ENCANTO” deste poema. Maria do Céu.
Comment por Maria do Céu — July 7, 2005 @ 6:37 pm
Belo:)
Comment por wind — July 7, 2005 @ 11:25 pm
Passei, senti… Sem palavras Pi… Está… beijo
Comment por lunar — July 8, 2005 @ 10:28 pm
Que linda poesia. É um jardim de palavras, sonhos, rabiscos de imensa ternura que esvoaçam sobre uma folha branca que “voa e cai”, impressionante poema.
*
Comment por Poeta Amigo — July 13, 2005 @ 11:08 am
Agarro em pincel e deslizo-o, a ouvi-lo segredar, murmúrios de cores que riem sozinhas.
Traço risco leve, não leve o vento o vento, o segredo do rabisco…
É saltimbanco, o risco colorido , palhaço-saltitante, vagabundo, navegante…
Procura ilha perdida, de menina que sonha versos de fantasia.
Rabisco tonto!
Desvalido de sorte!
Anda perdido sem norte, que a menina sonha coisas outras, de fadas e rainhas, não coisas tolas, coloridas por rabisco de Quixote…
Comment por almaro — July 13, 2005 @ 9:37 pm