Fantasia

Em meu espírito
esculpi numa tarde, um murmúrio
de gaivota
sobrevoando o mar
tinha um adejo espalmado
quase abalroando as águas
serenas da baía
mas voava ligeira
como uma flecha
e nada parecia detê-la
olhei demoradamente
e retive em meu olhar
sua liberdade plena
de graça e beleza
a brisa levianamente
fustigou meu rosto
nesse preciso momento
senti-me
como
a
- Gaivota que em voo raso
Uniu a minha cisma
Impressa nesta fantasia
© Piedade Araújo Sol
Funchal,27 de Julho de2005

Peguei em folha de papel branco (está a tornar-se uma obsessão, o branco e o espelho. Resta-me encolher os ombros e resignar-me com o facto, outras obsessões virão, para me alegrar a criatividade.), dizia eu (estás a ficar chato, não há duvida), peguei em folha branca sem reflexos, sem introspecção e desenhei o horizonte, como quem limita o olhar. Por cima do horizonte esculpi uma gaivota em tons de aguarela suja de mar.
Afastei-me do papel, olhei a gaivota e esbati-me na linha que tracei, como quem mergulha na liberdade de pintar um quadro só com a imaginação.
Comment por almaro — July 28, 2005 @ 4:58 pm
LIndo e com uma sensação de liberdade
Comment por wind — July 28, 2005 @ 7:51 pm
Que bonito!!!!
Comment por LU — July 29, 2005 @ 7:31 am
Eu ja vi essa gaivota algures acho que até levava o teu nome numa das asas.
Comment por Jamour — August 3, 2005 @ 8:53 am