Cidade Invicta

Olho o Douro que corre, e de repente
perco-me no meu emudecimento
que engenho aqui sentada
aprisionada neste mutismo
misterioso e individual
este dia de Agosto nasceu pardacento
e eu olho as águas, e sinto-as
como a manhã
queria me perder nelas…
me misturar com os líquenes
me encher de tudo o que não tenho
nem posso ter
Douro que permaneces e corres
lânguido para a foz
deixa-me olhar-te
no teu longo caminhar
e afastar este frio que entretanto
se apoderou de mim…
E trémula e hesitante
- Levanto-me
e deixo apressada, o meu posto de vigília
porque o tempo não é meu
e esgotou-se por hoje…
© Piedade Araújo Sol
1 Agosto 2005

