madrigal blog de poesia

August 1, 2005

Cidade Invicta

Olho o Douro que corre, e de repente
perco-me no meu emudecimento
que engenho aqui sentada
aprisionada neste mutismo
misterioso e individual
este dia de Agosto nasceu pardacento
e eu olho as águas, e sinto-as
como a manhã
queria me perder nelas…
me misturar com os líquenes
me encher de tudo o que não tenho
nem posso ter
Douro que permaneces e corres
lânguido para a foz
deixa-me olhar-te
no teu longo caminhar
e afastar este frio que entretanto
se apoderou de mim…

E trémula e hesitante

    Levanto-me
    e deixo apressada, o meu posto de vigília
    porque o tempo não é meu
    e esgotou-se por hoje…

© Piedade Araújo Sol
1 Agosto 2005

Carpe Diem

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O tempo parou num acordo tácito com os corpos cansados
As águas tornaram-se mansas deixando que o mar
as acaricie
e a natureza tornou-se mais viva
porque deu-se a união entre os homems da idade do ouro
e as divindades que gerem o tempo

Deixei o meu corpo entregue
a essas águas mansas
virei buscá-lo
quando as forças me tiverem abandonado
e o fim se estiver aproximando
porque é num dia como este
que quero partir
rumo a outras paragens
Quando esse momento chegar
dar-te-ei um sinal
e pedir-te-ei que me envies
os pássaros para que estes
me escoltem
na minha derradeira viagem

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 1 de Agosto de 2005

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