Cidade Invicta

Olho o Douro que corre, e de repente
perco-me no meu emudecimento
que engenho aqui sentada
aprisionada neste mutismo
misterioso e individual
este dia de Agosto nasceu pardacento
e eu olho as águas, e sinto-as
como a manhã
queria me perder nelas…
me misturar com os líquenes
me encher de tudo o que não tenho
nem posso ter
Douro que permaneces e corres
lânguido para a foz
deixa-me olhar-te
no teu longo caminhar
e afastar este frio que entretanto
se apoderou de mim…
E trémula e hesitante
- Levanto-me
e deixo apressada, o meu posto de vigília
porque o tempo não é meu
e esgotou-se por hoje…
© Piedade Araújo Sol
1 Agosto 2005

Lindo
Comment por wind — August 1, 2005 @ 11:18 am
OLá, Piedade. Obrigada pela visita ao meu Paraíso. Vim retribuir o gesto, conhecendo este cantinho deveras aprazível. Estive a ler alguns poemas e gostei muito da expressão e sensibilidade contida neles. UM grande beijinho *
Comment por Cakau — August 1, 2005 @ 11:24 am
O Douro é maravilhoso, faz parte das minhas recordações de criança, assim como o Porto e alguém da família que já não tenho. Está muito bom.
Comment por Poeta Amigo — August 1, 2005 @ 10:32 pm
o Douro é mais bonito , onde se esconde, onde abraça a intimidade das vinhas e do suor que moldou as encostas. Lá para trás, onde ele se encurva, é onde nos murmura os seus segredos, as suas paixões, os seus medos. Lá, para de trás, ele é selvagem e homem, é veia de vida.Lá, na intimidade onde se esconde, é azul…
Comment por almaro — August 2, 2005 @ 11:29 am
Gostei!!
Comment por LU — August 2, 2005 @ 4:34 pm
Obrigada pelas tuas palavras de recepção. Pi, lindo mais este teu trabalho.
Comment por Maria do Céu — August 2, 2005 @ 7:23 pm
Sabes que a Invicta é a minha segunda casa…. e vê-la aqui transformada em algo tão belo através das tuas palavras…. deixa-me, a mim, sem palavras! Lidíssimo, este teu poema. Um grande beijo, deste teu CGF*
Comment por CGF — August 2, 2005 @ 8:27 pm