madrigal blog de poesia

August 4, 2005

Breve muito breve

Trespassando a obscuridade
entre franjas de exultação
eu exclamo o teu nome
entre o sorrir
dos meus olhos
que se atrapalham
com as estrelas
que resplandecem no céu

Breve muito breve

Beijo-te e sorrio
porque esse ósculo
foi levado pela brisa
e colocado nos teus
lábios semiabertos
e quase tão imperceptível
que tu não pressentiste
nem chegarás nunca a sentir

    Breve muito breve

© Piedade Araújo Sol
Funchal, 4 de Agosto de 2005

Uma Arte Poética

É a palavra
que o poeta tem ao seu alcance
que desarma os ponteiros do tempo
nenhum compromisso com a hora
o minuto, o segundo, tudo
é um erguer incorpóreo num deserto
a brancura do papel
até o silêncio
e o seu amplo boicote
E quantas coisas podem
tentar a entrada
na moldura do verso
Mas venha primeiro a luz
para derreter o bloco
da noite.

© J. T. Parreira

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