A propósito de poemas traduzidos para o inglês
Depois de meia dúzia de poemas traduzidos para a língua inglesa, por Linda Marshall, professora de literatura aposentada, por meu filho mais velho, ele próprio leitor de boa poesia, e por mim próprio com muitas debilidades e imperfeições, tenho-me perguntado porquê.
A resposta imediata estará no aparecimento «físico» desses poemas em websites como Allpoetry, Poets.Org da Academy of American Poets e PoetryConnection.net, e, já agora, nos comentários de leitores e utilizadores desses fóruns de discussão, alguns acolhendo com surpresa a poesia portuguesa, à qual reconhecem geralmente uma aura de mistério, de sortilégio lírico e de inspiração, manifestando interesse em conhecê-la.
A resposta seguinte está nestas palavras do poeta Mário Dionísio «Concluído o livro, deveria escondê-lo, quer dizer: esconder-me? Teremos o direito de esconder-nos? ». Este poeta do Novo-Cancioneiro, figura marcante do neo-realismo português, escreveu-as a propósito do seu livro de poemas escritos originalmente na língua francesa, Le feu qui dort (Publicações Europa-América, 1967). Narra ainda o poeta e romancista o princípio dessa aventura da escrita em língua estranha, ainda que o autor estivesse ligado à cultura francesa: «Inesperadamente, numa tarde terrivelmente deserta, reparei que dizia sem saber porquê: “O toi ma clef O toi mon ombre et ma clairière“… Respirava, sem poder nem querer preocupar-me com a língua em que o fazia.»
Temos o dever de não nos escondermos.
BULLFIGHT
Man and bull disarm
one another
bodies touch
as arrows
reach their targets
touching his suit of lights
and the bull,s dark hide
coloring the wind
and the soil of the bullring
man and bull
do not deny the contest
until blood
soaks the sand.
A BRASILEIRA DO CHIADO
In the cafe A Brasileira do Chiado
sat the plural Pessoa
Fernando with laughter shaking his lips.
They waited for words to pass among them
and the noise of machines
and silence,
the silence that tasted their mouths
on the deserted wharf.
Translation of Portuguese by Linda K Marshall
artigo por J. T. Parreira

