madrigal blog de poesia

August 9, 2005

Remigio Adares - Poeta de Salamanca

Remigio Gonzales Adares com J. T. Parreira

Salamanca abria a sua Plaza Mayor ao sol ainda jovem dos meados da Primavera de 1993. O dia 1 de Maio era um dia de trabalho para a Cultura, em Salamanca. Uma Feira do Livro, uma Homenagem ao poeta Miguel Hernandez, e, no seu habitual feudo, o poeta salmantino Remígio Adares, 70 anos, quase sempre vividos aqui e ali, mas especialmente ali, na entrada do Café El Corrillo. Foi aí que nos conhecemos, naquela manhã do primeiro de Maio de 1993.
O Café El Corrillo tem tertúlias, jazz, outras músicas, poesia, mas tinha, como atalaia, esse velho poeta, que me disse, entre outras conversas: «Yo soy el poeta, y por eso paso » Falamos também de pássaros, porque eu editara recentemente, em Lisboa, «Pássaros Aprendendo Para Sempre e Outros Poemas », e Remigio Adares afirmou-me algo que jamais esquecerei: «Os pássaros parecem-me sempre fumos saindo das chaminés dos “pueblos”».
Este poeta de aspecto campesino, por causa do inseparável boné, constituia-se «tão-somente» como um dos grandes difusores da cultura salmantina no mundo, a sua obra estava e está, com certeza, repartida por muitos confins e latitudes onde é estudada.
Soube, recentemente, que havia falecido, já em 2001. Agora jamais voltarei à Plaza del Corrillo, perto da Mayor, porque Remigio Adares já não pára a rua e as escadarias breves da entrada do Café com os seus livros expostos.

SURPREENDES-TE PORQUE TE SURPREENDO

Remigio Gonzalez «Adares» (Salamanca, 1923\2001)

Toledo é a resposta
que vive com o ar
e a palavra El Greco.

É o teatro que quer ser o outro
com as rochas.
Frio de pés e grande por sua fábrica que chama
as surpresas.

O fogo de sua chave
é a ilusão do sol.
Retirar as coisas de Toledo
e deixá-lo sozinho.

O preço dos passos
não existe na distância,
mas o caminho obriga o homem
que caminhe sempre
até nenhuma parte.

Artigo de J. T. Parreira

Será a vida um sonho

www.thousandimages.com

Estou aqui
à beira do tempo
lá em baixo a espuma bravia
desfaz-se e refaz-se
lembrando o ciclo infernal
de morrer/renascer

Este quadro é quase
um convite a dar o salto
e dar início à dispersão dos átomos

Depois da borrasca
este pôr-de-sol
põe fim a
este pensamento mórbido
que de vez em quando
se agiganta dentro de mim
e de novo os átomos
continuam em excursão sideral

Como num sonho volto à vida

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 8 de Agosto de 2005

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