madrigal blog de poesia

August 22, 2005

Nocturno andante com fuga

As gotículas de chuva
pigmemtam-me a pele
e sinto-me mais vivo
depois
terei de visitar os fantasmas
e pagar-lhes um tributo
pois estes devolveram-me
a vontade de viver
aqui neste sítio onde
em cada esquina
se vislumbra um pedinte
e os pombos
debicam este futuro incerto
mas também portador
da fúria de viver

Depois deporei
uma flor
no teu túmulo
meu pássaro amado
que feneceste
antes da eclosão do sonho

© Rogério Saviniano Telo
Lisboa, 22 de Agosto

Invenção

Perdi a senha
não sei como alcançar
e me introduzir nesse cosmos

Eu tinha um mundo só meu
onde bastava um sorriso
talvez
mas… há tanto tempo
que esse olhar ficou algures
tresmalhado

Meu pai dizia: não vás
atrás de sonhos, eles são isso
mesmo
e nunca passarão disso
utopias

Minha mãe dizia: vai segue
sempre os teus sonhos, poderão
nunca passar disso, mas ajudar-te-ão a viver

E eu fiquei entre os sonhos
e um mundo que nunca foi meu
e quis ir
e nunca fui
fiquei…

Hoje procuro a senha
para conseguir deixar os sonhos
e entrar nesse mundo
que nunca foi meu…

© Piedade Araújo Sol
22/08/2005

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