Invenção
Perdi a senha
não sei como alcançar
e me introduzir nesse cosmos
Eu tinha um mundo só meu
onde bastava um sorriso
talvez
mas… há tanto tempo
que esse olhar ficou algures
tresmalhado
Meu pai dizia: não vás
atrás de sonhos, eles são isso
mesmo
e nunca passarão disso
utopias
Minha mãe dizia: vai segue
sempre os teus sonhos, poderão
nunca passar disso, mas ajudar-te-ão a viver
E eu fiquei entre os sonhos
e um mundo que nunca foi meu
e quis ir
e nunca fui
fiquei…
Hoje procuro a senha
para conseguir deixar os sonhos
e entrar nesse mundo
que nunca foi meu…
© Piedade Araújo Sol
22/08/2005

Lndíssimo poema de sonhos não realizados. Mas força para os realizar
Comment por wind — August 22, 2005 @ 10:34 am
Adorei este teu poema!
Fez-me lembrar um poema que li aqui há uns anos da Adélia Prado, uma
grande Poeta brasileira.
Comment por Maria do Céu — August 22, 2005 @ 9:16 pm
Muitos usam a poesia como senha para sair desse mundo e entrar no dos sonhos. O inverso, talvez o mais difícil de se conseguir, torna compreensível que um poeta queira deixar o vale encantado para experenciar caminhos de terra batida. Talvez para comprovar se existe verdade, quiçá beleza, em ter os pés no chão e o coração alado. São muitas as dúvidas/questões do ser humano… esta, uma delas! Um beijo e um afago, no coração e na alma, com votos de uma semana de luz, paz, alegria e amor.
Comment por Mily — August 23, 2005 @ 1:08 pm
Coincidência??? O meu último trabalho chama-se: O sonho do tempo. Um grande beijo miga na fundo da tua alma
Comment por Jamour — August 25, 2005 @ 8:19 am
É pena que o mundo dos sonhos não seja a própria realidade, mesmo que pareçam reais. Um poema sonhador.
*
Comment por Poeta Amigo — August 25, 2005 @ 4:47 pm
Papá, papá diz-me, porque estou sempre a voar? Porque ando sempre a fugir-me? Diz-me papá que eu ando tão perdido…
O sonho, meu filho, não é fuga, é um sorriso da alma que nos fortifica o querer…
Mas papá, diz-me, então porque ando sempre tão triste, e só me sorrio quando me invento?
Tu inventas-te? Finges-te?
Não sei papá, mas as minhas asas são desenhadas….
Mas meu filho, tudo que é desenhado com o sentir, existe-te, porque é autentico…
Papá, papá, mas eu não sei o que fazer com o sonho…
Não faças nada com ele, deixa que ele se dissolva no olhar e verás que cada vez que isso acontecer, cresceste no teu caminho…
Toma as minhas asas, papá. Não as quero mais…
Não as posso aceitar, meu filho, cada um só pode voar com as suas próprias asas, não se empresta o sonho… Guarda-as com carinho, porque foram elas que te trouxeram até aqui.
Papá, papá diz-me, porque é que quando voo sinto-me sempre tão sozinho…se tu também desenhas-te as tuas asas e voas, porque nunca te vejo no meu voar…
O voar é o teu questionar, apenas te ensinei a acreditar nas tuas asas, se assim não fosse perderias toda a capacidade de as usar, porque elas só funcionam com o sentir, e esse meu filho tem a medida de cada um…
Comment por almaro — August 29, 2005 @ 1:40 pm