madrigal blog de poesia

August 28, 2005

Somewhere in the wild nature

www.thousandimages.com

    É no cérebro que a papoila se revela vermelha, que a
    maçã se torna aromática, que a cotovia canta.

    Oscar Wilde

Os cheiros da minha infância
continuam a acompanhar-me
causando em mim
uma divisão dualística

As imagens flúem
em mim
ora no presente
ora no passado
por vezes
tenho dificuldade
em decifrar
esse tempo que me habita
e me expulsa
como se fosse uma vulva gigante
que me expele
para o espaço sideral
onde o azul tinge tudo

Hoje aprendi
que os sonhos são os movimentos peristálticos
do cérebro
e que
o orvalho são as lágrimas
dos anjos que cuidam de nós

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 28 de Agosto de 2005

José

Estou num sonho deserto
debaixo da noite e do dia
no fundo do vento
A mão suja
tenta a saída
do fundo do poço
Mas o céu é um tecto
o céu espelha
só meu grito
sem que ninguém ouça.

© J. T. Parreira

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