Somewhere in the wild nature

- É no cérebro que a papoila se revela vermelha, que a
maçã se torna aromática, que a cotovia canta.
Oscar Wilde
Os cheiros da minha infância
continuam a acompanhar-me
causando em mim
uma divisão dualística
As imagens flúem
em mim
ora no presente
ora no passado
por vezes
tenho dificuldade
em decifrar
esse tempo que me habita
e me expulsa
como se fosse uma vulva gigante
que me expele
para o espaço sideral
onde o azul tinge tudo
Hoje aprendi
que os sonhos são os movimentos peristálticos
do cérebro
e que
o orvalho são as lágrimas
dos anjos que cuidam de nós
© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 28 de Agosto de 2005

Maravilhosa “caixinha”, a nossa cabeça, que nem nós próprios entendemos como funciona. Como é possível ver, sentir, cheirar coisas que já não são? Mas é. Talvez os anjos morem lá dentro e sejam eles que guardam essas coisas para nós…
Comment por Maria — August 31, 2005 @ 7:00 am