A Poesia
Procurei como quem procura algo para subsistir
Sem rumo certo
Procurei nas veredas vazias
Nos sorrisos discretos
Nas manhas claras
Encontrei muito e pouco
Encontrei tudo e quase nada
Encontrei um beijo esquecido
Uma lágrima ilícita
Uma mão sem nada
Encontrei pessoas enleadas
Renuncias
Amores
Ódios
Aeroportos
Diferentes ou quase iguais
Longos
Pequenos
Não encontrei muito
Não encontrei pouco
Procurei como quem procura algo para perdurar
Não te encontrei
Em forma humana
Nem sabores
Nem cores
Nem odores
Nada nem ninguém me fascinou
Mas sempre que posso
És tu que chamas
E
É em ti que eu me abrigo
Me perco
Me encontro
Me desespero
És o meu amante
A minha droga
O meu narcótico
Tudo se vai tudo se dissipa
E no fim eu volto sempre
Sempre
Os teus braços são o meu antro
O meu porto inevitável
Tu estás sempre presente em tudo o que sou
Em tudo o que faço
Ninguém saberá
Mas tu és
Serás sempre o meu amante clandestino
Predilecto
Discricionário
Eu sei que nem eu
Nem tu
Jamais nos conseguiremos desagregar
Mormente tu estarás sempre comigo
TU
Minha POESIA
© Piedade Araújo Sol
Março de 2004

Que bela surpresa este prosseguimento ou complemento, não sei bem que nome lhe dar, ao “Aconchego”.
Comment por Maria do Céu — August 29, 2005 @ 9:46 pm
Se é de poesia a natureza da alma, não há como escapar a si próprio(a)!
Comment por Maria — August 31, 2005 @ 6:51 am
A poesia é uma espécie de revolta das palavras que se insurgem no sentir. Percorrem-nos o corpo e sem querermos lá estão a espalhar-se no dizer , no pensar ou no agir. Confundo, vezes muitas, poesia com cor ou com desenho, e até com gestos, quando estes se transformam no verbo dar. Ando à procura do mecanismo que transmuta a palavra em algo vivo, com vontade própria que se precipita pela alma e pela pele. A poesia não se guarda, é um grito que nos acompanha nos caminhos. Vai de mão dada, à escuta, è espreita. A poesia não se escreve, nem se diz, nem se vê. Empurra-nos na vida e desenha-nos o sentir…
Comment por almaro — August 31, 2005 @ 10:46 am
Sol, considero este poema um autêntico hino à poesia. Parabéns gostei.
Comment por soslayo — September 11, 2005 @ 10:35 pm
achei legal apenas um pouco melancolico,mas esta de parabens
Comment por ivi — August 2, 2007 @ 1:58 pm