Uma Biografia de Bolso

- A veces se le oye cantar cosas de niño
Gabriel Celaya
Respira numa pequena cidade o mesmo ar
por onde passam os sinos
e os pássaros que chamam os olhos
para cima das árvores da rua principal
na pequena cidade onde vive e que teima
em ser provinciana, toda a gente
se conhece pelo modo como diz o nome
e o rosto de hoje foi o que se viu ontem
Vive numa pequena cidade
cuja gente se preocupa com o buraco
do ozono e o da rua em que reside
Passa algum tempo em casa devagar
as janelas raramente o vêem
sempre que cruza os olhos por um livro
é para paralisar a eternidade
também cruza os braços para se defender
do coração inconfidente
Alguns anos escreveu poesia
com o alheamento das estrelas
não conseguiu entrar ainda na fórmula
azul que é o céu
mas conseguiu deixar aos filhos
como herança dois ou três editores
e espera viver alguns anos ainda
para levantar a cabeça.
© J. T. Parreira

penso que a cabeça já anda bem levantada, humilde e sem orgulhos descabidos, que é assim que deviam ser os homens: dignos e humildes. com ou sem fórmula do azul do céu a sua poesia tem a sabedoria de quem faz com as palavras formas de arte. disso não restarão dúvidas.
Comment por Alexandre — August 31, 2005 @ 10:54 am
J.Parreira, esta sua “biografia de bolso”, certamente não caberá no simples bolso, seriam precisos muitos bolsos, muitos mesmos… para a guardar
Comment por Maria do Céu — August 31, 2005 @ 12:18 pm
Aqui está um poema que dá prazer ler!
Comment por fury — August 31, 2005 @ 2:21 pm