madrigal blog de poesia

September 2, 2005

Tempo sem nome

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Conto
e reconto os minutos
mas as contas não batem certas
Já sei
são os teus cabelos
que me fascinam
e me enlevam
em castelos distantes
onde deixaste
o teu sorriso
entregue às vestais
do teu templo
musa sem deus para honrares

O desejo
é divino
e faz de nós
deuses de nós mesmos
livres de voarmos
com as nossas próprias asas
e com estas
palavras
me despeço
deusa do tempo sem nome

© Rogério Saviniano Telo

Ensina-me

Ensina-me como aprenderei a contar
As areias da praia
Sem as espalhar
Como juntar as nuvens
Sem as esfarrapar
Como nadar no rio sem me molhar

Ensina-me a amar sem sofrer
A ter sem saber
A compartilhar e receber
A dar e perder

Ensina-me a voar
A ter asas e as merecer
A usar as palavras
Sem as estragar
E sobretudo
Ensina-me a ficar

    Aqui a olhar
    O vaivém das ondas do mar…

© Piedade Araújo Sol
Funchal, 01/09/2005

Wind

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Espalhei os meus sonhos
no ar
e estes aproveitaram
a boleia da brisa
que se fazia sentir
a oeste
e num bailado macabro
mas belo
cirandaram no ar
até ficarem cansados
depois lembraram-se
que o sol estava prestes
a nascer
e como Ícaro
pensaram que se tivessem asas
poderiam voar até ti

Quando acordei estava tenso
mas feliz
porque o meu papagaio
de papel
perdera-se na escuridão da noite

© Rogério Saviniano Telo

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