madrigal blog de poesia

September 4, 2005

Algas

Amar-te assim com a força da poesia
que sem querer
gravo em tudo o que faço e
sou

Amar-te assim ao clarear de mais um dia
em que descubro meu corpo
desnudado e
tranquilo

Amar-te assim onde as mãos tacteiam
quais algas desavindas
perdidas nas profundezas
das águas

Amar-te

© Piedade Araújo Sol
Funchal 04/09/2005

A Bailarina de Flamenco

I

Ela derrama água nos seus pés.
Quando o seu vestido dança
em chamas
ela põe fora da boca
o coração cansado.
Seus dedos como os pardais
procuram fugir,
como os sapatos de flamenco
na madeira do soalho.

II

Ela dança em chamas.
Por isso põe fora da boca
o coração cansado
e no seu vestido
o vento se derrama.

III

O seu coração bate.
Como os sapatos de flamenco
na madeira do soalho.

IV

Os seus pés em água desenhados.

© J. T. Parreira
3-9-2005

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