madrigal blog de poesia

September 7, 2005

mudamos de servidor agora em blogspot!

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Obrigado.

Piedade Araújo Sol
Rogério Saviniano Telo
J. T. Parreira

Prece

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Lavra-me o corpo
e faz de mim o teu instrumento

Toca-me de mansinho
como se
eu fosse o ser mais frágil do teu reino

Cataloga-me
como sendo
uma das tuas espécies raras

Beija-me como se
fosse o nosso último adeus

E para
que não me esqueças
planta-me junto ao teu coração

© Rogério Saviniano Telo

September 6, 2005

No começo do mundo

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No começo do mundo
tudo era assim
as sombras habitavam as cores
depois tudo foi clareando
e tu apareceste
triunfante
e ganhaste o meu afecto
bom
poderei afirmar
que foi um acto mútuo
e as nossas mãos
espremeram os frutos maduros
e fez-se dia
trazendo consigo
uma miríade
de cores
eu fiquei estático
tal era o prazer
que sentia pela luminosidade
que te inundava
e tu resplandecias
naquela manhã de inverno

© Rogério Saviniano Telo

September 3, 2005

Será a vida um sonho II

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    A graciosa gravidade túmida e delicada
    de um corpo que equilibra o mundo e o anula
    é um doce e violento desafio
    à volúvel e frágil fantasia da palavra

    António Ramos Rosa

O meu corpo estremece
de emoção
ao ver-te
pássaro alado
que te vestiste
com as minhas cores preferidas

Fala-me de ti
diz-me de onde vens
a que reino pertences
quem te pintou

Serás um ser alado que saiu
da paleta de um pintor louco
ou serás um sonho
do meu sonho

© Rogério Saviniano Telo

September 2, 2005

Tempo sem nome

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Conto
e reconto os minutos
mas as contas não batem certas
Já sei
são os teus cabelos
que me fascinam
e me enlevam
em castelos distantes
onde deixaste
o teu sorriso
entregue às vestais
do teu templo
musa sem deus para honrares

O desejo
é divino
e faz de nós
deuses de nós mesmos
livres de voarmos
com as nossas próprias asas
e com estas
palavras
me despeço
deusa do tempo sem nome

© Rogério Saviniano Telo

Wind

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Espalhei os meus sonhos
no ar
e estes aproveitaram
a boleia da brisa
que se fazia sentir
a oeste
e num bailado macabro
mas belo
cirandaram no ar
até ficarem cansados
depois lembraram-se
que o sol estava prestes
a nascer
e como Ícaro
pensaram que se tivessem asas
poderiam voar até ti

Quando acordei estava tenso
mas feliz
porque o meu papagaio
de papel
perdera-se na escuridão da noite

© Rogério Saviniano Telo

September 1, 2005

Despair is made of silk

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Mother
the unspoken words
have been vomited
deep inside me
I know that I lied to you
mother
can’t you see
that I have grown up
mother
between us
understanding is not allowed
mother
goodbye
mother
I am flying south
together with the migrant birds

© Rogério Saviniano Telo

August 31, 2005

Em que boca bebe a luz

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    Da inocência à confiança
    da claridade à fidelidade
    do sonho à consciência
    da beleza à bondade
    da poesia ao amor

    António Ramos Rosa

Erguem-se vultos à tua volta
e o ar torna-se pestilento

Foge
é a barbárie
que volta de novo

Como tudo
a História também se repete
e de novo temos
os duelos entre
as diferentes crenças

Tu sabes que és diferente
deixo-te entregue aos pássaros

Quando o pesadelo terminar
acorda-me

© Rogério Saviniano Telo

August 30, 2005

Miragem com tons de azul

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Esperei por ti
e tu não chegaste
revi o tempo
mas tu não me esperaste

Miragem ambulante
és tu
musa do meu sofrer
hei-de enlouquecer
sonhando com os
teus afagos
que outrora me servias
cedinho
antes do amanhecer

O teu corpo
foi o meu porto de abrigo
quando as monções
faziam tremer todo o meu ser
foste a amante fiel
e sabias saciar a minha sede
de ti
Hoje pintei
a minha miragem com tons de azul claro
talvez
seja mais fácil te encontrar no meu sonho

© Rogério Saviniano Telo

August 29, 2005

Em mim habita o intemporal

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Mergulhas nas águas do olvido
e transformas-te em sereia

Jasão sabia do teu destino
por isso
prendeu Ulisses ao mastro
para que não fosse possuído
pelo teu canto

Jocasta
continuava a esperar
pelo seu amado
Tu cantavas o teu canto triste
e Ulisses já se encontrava
a caminho de casa

Tu não sabes
mas estas informações
estão registadas no teu corpo
Um dia terás oportunidade
de eu te relatar
estas metamorfoses
pois
eu fui testemunha
do teu destino

© Rogério Saviniano Telo
Funchal 29 de Agosto de 2005

August 28, 2005

Somewhere in the wild nature

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    É no cérebro que a papoila se revela vermelha, que a
    maçã se torna aromática, que a cotovia canta.

    Oscar Wilde

Os cheiros da minha infância
continuam a acompanhar-me
causando em mim
uma divisão dualística

As imagens flúem
em mim
ora no presente
ora no passado
por vezes
tenho dificuldade
em decifrar
esse tempo que me habita
e me expulsa
como se fosse uma vulva gigante
que me expele
para o espaço sideral
onde o azul tinge tudo

Hoje aprendi
que os sonhos são os movimentos peristálticos
do cérebro
e que
o orvalho são as lágrimas
dos anjos que cuidam de nós

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 28 de Agosto de 2005

August 27, 2005

A flor do desejo

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As horas expandem-se
e derramam-se sobre ti
abrindo o túnel que teimosamente
negavas a sua existência

As tuas coxas
abrem-se e
prolongam-se para lá do rio
que corre em mim

De mansinho
entro no teu templo
e aos poucos
vou me habituando
ao teu desejo
que de tão intenso
te provoca espasmos
dando vazão
à tua fúria de viver a carne

© Rogério Saviniano Telo
27 de Agosto de 2005

August 26, 2005

Diáspora

Povo que sofres no limbo
afasta de ti esse cálice de vinho tinto
de púrpura

De tanto sofrer
já não te dás conta
dessa tua condição

Anda vem com a tua garra
e vive o teu viver
verás que no fim da eterna noite
começará um novo dia
cheio de novas vivências
e certamente serás mais feliz

© Rogério Saviniano Telo
26 de Agosto de 2006

August 24, 2005

Corpo de ébano

Corpo de ébano
que jazes no fundo da turfa
sai do teu sono letárgico
levanta-te
e oferece os lábios carnudos
à noite
que é sábia companheira
com os segredos do amor
Certamente que te indicará
o norte como destino
e ensinar-te-à
como deves fazer
para que o teu corpo
chegue incólume
até aos desejos
que te possuem
e retesam-te os seios
ardentes de carícias

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 24 de Agosto de 2005

August 23, 2005

Luar de Agosto

Chamo-te de Rosa-luz
porque não sei o teu nome
e porque enches de luz os meus dias
mesmo sabendo
que um dia a escuridão
virá cobrir todo o meu mundo

Quando já nada restar
do que eu fui
vai ao jardim mais perfumado
desta cidade de luz branca
colhe uma rosa
recolhe as pétalas
depois
à beira-rio
espalha os segmentos da rosa
em memória do nosso sonho

© Rogério Saviniano Telo
Lisboa, 23 de Agosto de 2005

August 22, 2005

Nocturno andante com fuga

As gotículas de chuva
pigmemtam-me a pele
e sinto-me mais vivo
depois
terei de visitar os fantasmas
e pagar-lhes um tributo
pois estes devolveram-me
a vontade de viver
aqui neste sítio onde
em cada esquina
se vislumbra um pedinte
e os pombos
debicam este futuro incerto
mas também portador
da fúria de viver

Depois deporei
uma flor
no teu túmulo
meu pássaro amado
que feneceste
antes da eclosão do sonho

© Rogério Saviniano Telo
Lisboa, 22 de Agosto

August 16, 2005

Sonhei que sonhava

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Que deuses te trouxeram até mim
feiticeira do mar
que trazes enleadas nas tuas coxas
as promessas
do devir dos corpos
que habitaste noutras épocas
e que te fizeram migrar
nas águas cálidas
do ventre da terra
onde os dias correm céleres
e o pêndulo inexorável do tempo
nos transforma em bonecos
e que depois duma transmutação
seremos elevados nos ares
porque depois dessa transformação
ganhamos asas
e transformamo-nos
em seres alados

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 16 de Agosto de 2005

August 15, 2005

Eugénio doesn´t live here anymore

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Thy body is a portrait
or rather a needlepiece
so many trips around lost seas
sailor of thousand dreams
finally thy found thy port
brother of no brother
I hope from now on
the sea will be always gentle
so that thy can sleep
on the dream
that I cared
to prepare for thy resting night
so long
sailor

© Rogério Saviniano Telo

August 13, 2005

Brave new world

Far
beyond the dream
horizontally fall
the flowers of dark stone
blasing fire
assassin of the thousand virgins
that were sleeping on the bank
of this river
that flows towards the sea
to the sea of this oxidated mirror
that hides
these emaciated masks
burning with postponed desire
distant bodies
awaiting for the final spin
that will sink the boat
and will bring tongues
to set light into this
brave new world
pregnant of fog
new daring desires
and tender caresses

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 13 de Agosto de 2005

August 11, 2005

Perdição

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Caminho pelas ruelas
dos famintos e dos deserdados
e deparo-me com o teu rosto
anjo alado
que vieste até mim
para deixares a tua marca

Agora que já não existes
no plano físico
sinto o vazio da tua presença
e anseio
que a noite caia
pois sei
que tu habitas os meus sonhos

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 11 de Agosto de 2005

Blue indigo

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Unveil my eyes
and kiss me goodbye
my body is prepared
to be sliced
I am the new hero
of ancient times
my lips are sealed
my hands look for a sign
I speak the language of the blind
now I am prepared
to drink the glass of cicuta
but
I shall not disturb Socrates
for he is too busy
talking in the Agora
I will continue my destiny
for
I am a time voyageur

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 11 de Agosto de 2005

August 9, 2005

Será a vida um sonho

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Estou aqui
à beira do tempo
lá em baixo a espuma bravia
desfaz-se e refaz-se
lembrando o ciclo infernal
de morrer/renascer

Este quadro é quase
um convite a dar o salto
e dar início à dispersão dos átomos

Depois da borrasca
este pôr-de-sol
põe fim a
este pensamento mórbido
que de vez em quando
se agiganta dentro de mim
e de novo os átomos
continuam em excursão sideral

Como num sonho volto à vida

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 8 de Agosto de 2005

August 8, 2005

Farewell to Sylvia

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First I will blind you
then
I will cut a piece of your soul
and throw it into the moon
in honour of
the lord
the sheperd of the suicidals
those who dared to move
inside the oxidated mirror
for they found no reason
to give birth to the diamonds

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 8 de Agosto de 2005

Fallen angel

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O corpo de bailarina rodopia sobre si mesmo
e cai inerte no chão de pedra
a chusma aproximou-se e todos se perguntavam
Quem é?
Eu fui testemunha silente
do findar deste corpo que eu conheci tao intimamente
Num gesto abrupto
afasto-me
e dou por mim a murmurar
que tenhas boa viagem
meu anjo caído

© Rogério Saviniano Telo
Funchal 8 de agosto de 2005

August 7, 2005

Ergative body

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Floating caresses
silky hands
touching my ergative body
that trembles with the mistral wind
and blows through your veins
Painter
oh painter
which dream
am I dreaming about

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 7 de Agosto de 2005

August 5, 2005

Midnight summer dream

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Neste simbolismo cromático
deixas a água crescer em ti
e eu sonho
com o carmim das tuas coxas
onde campeiam as ondas
que te levarão ao êxtase

Corpo abandonado aos desejos
da infância
onde as bonecas continuam
gritando o teu nome

Tempo que já não tens acesso
pois as ruas estão calcetadas
com as tuas memórias
e eu deliro
com os delírios
que te acometem
vezes sem conta
sempre que viajas até mim

© Rogério Savininano Telo
Funchal, 5 de Agosto de 2005

August 1, 2005

Carpe Diem

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O tempo parou num acordo tácito com os corpos cansados
As águas tornaram-se mansas deixando que o mar
as acaricie
e a natureza tornou-se mais viva
porque deu-se a união entre os homems da idade do ouro
e as divindades que gerem o tempo

Deixei o meu corpo entregue
a essas águas mansas
virei buscá-lo
quando as forças me tiverem abandonado
e o fim se estiver aproximando
porque é num dia como este
que quero partir
rumo a outras paragens
Quando esse momento chegar
dar-te-ei um sinal
e pedir-te-ei que me envies
os pássaros para que estes
me escoltem
na minha derradeira viagem

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 1 de Agosto de 2005

July 29, 2005

Green Grass

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É à noite
que as palavras ficam mais suaves
e que os corpos se mutuam
os gestos tormam-se mais mansos
e o desejo é mais acutilante

Sobre o teu corpo domado
eu cumpro o ritual da estação
mais tarde as chuvas
relavarão
os poros e estes
ficarão orvalhados
como as ervas que habitam
este presente tão incerto

Fica a certeza
o facto de estarmos vivos
agora
amanhã
não sabemos o que o futuro nos trará.

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 29 de Julho de 2005

July 26, 2005

Om

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Salvé
corpo sintonizado com as energias cósmicas
bendito sejas
porque
trazes em ti
a alegria que inunda
este universo novo
e portas contigo
a semente que germinará
ao terceiro milénio
e és o arauto
duma nova vivência
da qual eu quero fazer parte
dum mundo mais brilhante
e mais risonho
onde
cada dia que nasce
é uma nova e ternurenta
promessa de
liberdade

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 26 de Julho de 2005

July 22, 2005

A era do vazio

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No tempo da raiva
é prazeroso
saber que
ainda existem corpos
para apaziguar as águas turbulentas
tornando o sonho
mais sonho
e a certeza
de que a a alma
poderá migrar
em outros corpos
e desta forma poder regressar
ao paraíso
Dorme
donzela resgatada
da loucura ébria de La mancha
e que estás predestinada
a acordar quando o tempo da barbárie
se tiver esfumado

© Rogério Saviniano Telo

July 19, 2005

Úterus

Neste azul infindável
perco-me
mergulho no mais profundo
de ti
e descubro
que a eternidade não tem nome
assim sendo
vou dormitar neste azul indigo
e deixar que as luas passem
quando acordar
irei colher os frutos
antes que estes caiam podres
porque tu ensinaste-me
que os frutos devem ser colhidos
no seu tempo próprio

E tu será que soubeste
escolher os corpos
que em ti migraram
e
que agora só te resta uma ténue
lembrança dos afagos
que alguns souberam dar-te

© Rogério Saviniano Telo
Funchal , 19 de Julho de 2005

July 17, 2005

O vazio como arte de sobrevivência

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Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos como animais envelhecidos…
como frutos de sombra sem sabor
vamos caindo ao chão apodrecidos.

Eugénio de Andrade

Quem mora nesta solidão adiada
com afagos de nostalgia
tendo por companhia
os pássaros feridos de fome

Que esperas
a morte ronceira
ou o marinheiro
que colheu os frutos
da tua primavera
e se afastou em nau catrineta
e que tu teimosamente
continuas esperando

Que se opere em ti o milagre da carne
e então poderás fenecer
e alcançar os prados verdes
que habitam os teus sonhos
e preenchem a solidão com que coses os dias

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 17 de Julho de 2005

July 15, 2005

Sonhei que sonhava com o teu corpo

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Estamos perto de acordar, quando sonhamos que sonhamos.

Novalis

Sonhei que sonhava com o teu corpo
voavas em direcção ao Zéfiro
e
eu queria-te
mas
no teu voo rasante não escutavas a voz do teu sonho

Quando o sonho se findou
sentiste
o frio da noite se embrenhando
no teu corpo
e
sem nada dizeres
morreste-me

© Rogério Saviniano Telo

Limbo

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Os gatos ronronam
e o sol está a pino
nas ruelas da minha infância

Agora os meninos já não andam descalços
nem a fome famélica espreita
pelas frestas desse então futuro incerto

Hoje o astro-rei brilha para todos
e a promessa de que o futuro
é um porto seguro
para a viagem iniciática
que não sei quando terá fim

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 14 de Julho de 2005

July 8, 2005

Columbina

Já não tens necessidade de regares as estrelas
pois o verde da clorofila extinguiu-se
sem que te desses conta
agora
só te resta
assistir ao desenrolar dos dias
que te transformam
em boneca feérica
atirada à plebe
e esta cheia de prazeres pútridos
devolve-te ao sítio
das águas turbulentas
onde esperarás que a vulva-amiba
te devolva às entranhas da terra
onde finalmente terás merecido descanso

© Rogério Saviniano Telo
Funchal - Madeira

July 5, 2005

Ni ao

Fazer o alfabeto chinês
e mergulhar a boca no teu sexo
trazer à superfície a flor de lótus
e beber chá
debaixo duma ameixieira em flor
são estes os requisitos
para que as folhas se desprendam
deste sonho adiado
vertigem fugaz
de te ter conhecido em noite de lua-cheia

© Rogério Saviniano Telo
Funchal - Madeira

July 1, 2005

Inchala

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Aqui estão as mãos…
alguns pensam que são as mãos de
deus
- eu sei que são as mãos de um homem

Eugénio de Andrade

 

A terra tremeu com os seus vagidos
de animal indefeso
pouco a pouco
foi traçando o seu caminho
e tornou-se deus entre os deuses
mostrando ao mundo
que só o Homem
é senhor do seu destino
e que as estrelas que brilham no céu
em noites de lua clara
são sonhos que
como os frutos
estão esperando por serem colhidos
 

© Rogério Saviniano Telo

Dádiva com nome de fúria

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Respiro a terra nas palavras
no dorso das palavras
respiro
a pedra fresca da cal

 

Eugénio de Andrade

 

Trazias contigo
a promessa de um equinócio
e a alegria incontida
própria de quem se entrega
aos corpos
estes corpos que se translucidam
e migram em mim

A terra cobre-te com
a sua seiva
e eu como produto da terra
cobrir-te-ei com a minha seiva

Depois numa dança de faunos
iremos como cavalos loucos
beber a água do olvido
e a manhá virá
cobrir os nossos corpos

© Rogério Saviniano Telo
1 de Julho de 2005

June 28, 2005

Nocturno andante

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Quando em silêncio passas entre as folhas,
uma ave renasce da morte

Eugénio de Andrade

Tenho medo
de dizer que te amo
por isso resolvi escrevê-lo na parede
tenho medo das multidões
por ti juntei-me à plebe

O medo habita-me
e circunda-me
enche-me a casa de fantasmas
que eu sei
que são irreais
mas
o medo que eu sinto
é de talvez
não viver o suficiente
para te amar

Corto o cordão umbilical
que me prende a esse tempo de barbárie
e mergulho nas águas
cristalinas
que brotam do teu corpo
e agora
posso dizer
que já não tenho medo
de ter medo

Amo-te vida

© Rogério Saviniano Telo

Pescador de sonhos

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A noite é uma terna amante
leva-me por meandros que eu desconheço
e dá-me a experimentar cheiros enebriantes

Quando a luz começa
a se mostrar
a noite despede-se
com a promessa de voltar
e de novo me arrebatar
pelos espaços esconsos
do meu quarto
despido de emoções

© Rogério Saviniano Telo
28 de Junho de 2005

June 27, 2005

Era uma vez

Uma princesa vivia dentro de mim
fora desígnio dos deuses
que assim fosse

Um dia o meu coração explodiu
e a princesa voou para uma nuvem

Sempre que o céu se apresente com esta cor
é sinal que a princesa está com saudades
dos carinhos que eu lhe distribuia

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 27 de Junho de 2005

June 26, 2005

Na sombra das palavras

A poesia não é feita de palavras,
mas de cólera de não sermos deuses

Agustina Bessa Luís

Bendito seja o ventre
que te trouxe até mim
e toda a míriade de afagos e de ternura

Agora que estás bem longe
sei que foste
um presente enviado pelo deuses

Vou sonhar com o teu corpo
e certamente que amanhã
serei mais feliz

© Rogério Saviniano Telo
26 de Junho de 2005

June 24, 2005

Respiro

Tudo porque tu ignoras
que há leitos por onde o frio não se demora
noites rumorosas de águas matinais

Eugénio de Andrade

Esperei por ti na boca do tempo
as horas escoaram-se
e tu não chegaste

Que é feito de ti

Depois soube
que resolveste abraçar a eternidade
e que acharam o teu corpo
vogando nas salsas ondas
deste mar tingido
de dor

© Rogério Saviniano Telo

June 22, 2005

Se

Se…
Se vieres ao meu encontro
traz o ódio
e a raiva
traz também as lágrimas
e os ramos de jasmim
para que eu me situe

Estou perdido neste labirinto
e não possuo os artefactos
de que Ícaro se serviu

Voarei
em voo rasante
em direcção ao teu corpo
e darei início
à via-sacra morte/vida

Depois num dia de tempestade
dir-te-ei
que somos imortais

© Rogério Savininano Telo
22 de Julho de 2004

June 21, 2005

[sem título]

Uma afloração da pele mais do que enredos do espírito

Eugénio de Andrade

No meu céu caíu um anjo
pergunto-lho de onde veio
mas este não fala
amanhã ensinar-lhe-ei
a linguagem das tuas mãos

© Rogério Saviniano Telo
21 de Junho de 2006

June 20, 2005

Os poetas também sonham

De que me serve ter lábios
se não posso sugá-los com avidez
e sorver a tua saliva

de que me serve ter mãos
se não posso mais acariciar o teu corpo

de que me serve ter a solidão
se estás sempre presente

Hoje operou-se em mim uma mudança
a partir de agora
não mais terei
as eternas equações
dentro de mim
porque no meu sonho
sonhei que voltavas
vou fazer deste sonho
a realidade quotidiana

© Rogério Saviniano Telo

June 19, 2005

No pomar dos deuses

O vento sopra com fúria
e eu agarro-me
a este presente incerto
na esperança
que as manhãs prenhes de orvalho
tragam o unguento
que eu necessito para os meus olhos

Vejo o mundo como os cegos o vêem
só que consigo
descortinar as cores
com que pintei esta tela
pensando em ti

Vem de mansinho
e traz-me
raminhos de rosmaninho
e romãs maduras

Depois
como num jogo de cabra-cega
dar-te-ei a comer
os gomos de carne escarlate
com que se vestem as romãs

© Rogério Saviniano Telo

June 18, 2005

Monções de Verão

Os teus lábios clamam por carícias
o teu corpo tem sede …

Entrega-te ao vento Suão
e não tenhas medo
das monções

Os pássaros alados
vir-te-ão buscar
mas esse tempo ainda está longe
não tenhas medo
entrega-te à morte súbita
e deixa que
os oceanos te penetrem com fúria
só assim
ficarás conhecendo
os segredos ancestrais

Vês é fácil morrer
porque é uma viagem com retorno
e eu ficarei silente
esperando por um sinal teu

© Rogério Saviniano Telo
18 de Junho de 2006

June 14, 2005

Free, free at last

Eugénio de Andrade

Ao meu mestre

Os frutos maduros
sofreram a metamorfose

Adeus
mago das palavras
agora já podes sonhar
com deuses verdes
e com cavalos alados
e com as afluentes dos rios
onde os corpos mergulhavam
e se davam mutuamente

Como sussurravas
numa rebeldia agreste
ao ouvido da tua mãe
agora já cresceste o suficiente
e o teu corpo transbordou
para voares livre
com os pássaros
rumo ao Párnaso

© Rogério Saviniano Telo
14 de Junho de 2005

Esse obscuro objecto do prazer

Depois da noite cair
tu afastas-te
e vaiss em direcção ao nada
eu fico por aqui
sem desejo de continuar
o teu sonho
porque as estrelas
já há muito
que deixaram de me iluminar

© Rogério Saviniano Telo
13 de Junho de 2005

June 12, 2005

Ode ao povo judeu

Tive doze companheiros
que me venderam por trinta dinheiros
Fundei uma religião
para dar vazão às minhas ideias
Por ser judeu
fui temido
e por esse motivo
fui perseguido

A minha doce Madalena
lavou-me os pés
e ungiu-os
com a sua boca

Na noite em que o galo cantou
três vezes
fui beijado e traído por Judas

Em nome da religião que fundei
tudo suportei

Hoje quando olho o mundo actual
noto que este difere muito pouco
do meu tempo
só que
com o progresso da ciência
multiplicaram o meu corpo
e a cada dia que passa
morro de novo

Perdoa-lhes mãe
porque eles não sabem o que fazem
nem para onde vão

© Rogério Saviniano Telo
12 de Junho de 2005

June 11, 2005

Que farei com os sonhos de Verão

Esventrar os sentidos
e vomitar a fome
que me assola quotidianamente

Que mais fazer
Que mais esperar

Deixar que o corpo deslize
nesta inércia
que teima em persistir
ou partir para bem longe
fingindo
que as estrelas cadentes
são rubis que a terra
teima em parir

© Rogério Saviniano Telo
11 de Junho de 2005

June 8, 2005

Lendas do vento que passa

No tempo em que os homens falavam
tinham o hábito
de se questionarem
sobre a hipotética
existência de um deus

Porque perderam o dom da fala
desenham nas pedras
as asas dos pássaros
pois chegaram à conclusão
que esses seres alados
são os senhores do universo

© Rogério Saviniano Telo
8 de Junho de 2005

June 7, 2005

Fogo fátuo

Este fogo que me consome as entranhas
não é um fogo qualquer
é um fogo caprichoso
arrebata-me em espasmos telúricos
e leva-me para paragens
nunca dantes navegadas
Este fogo é o meu inimigo íntimo
com quem tenho de partilhar
os meus sonhos

Agora sei que este fogo
foi um presente dos deuses
para que eu possa
passar o portal da eternidade

Em Abril
mês de todas as venturas
aprendi que afinal
este fogo era fátuo
mas de facto
marcou-me

Hoje a vida tem mais sabor
porque o fogo extinguiu-se

© Rogério Saviniano Telo
Gotemburgo, 30 Abril 1996

June 6, 2005

Andam anjos no meu quintal

Trinta dias se passaram
setecentas e vinte horas diluíram-se
um furacão assolou o teu mundo
as águas diluvianas
deixaram-te entregue aos elementos
o teu mundo desabou

Foi então que vieste ao meu encontro
falamos das tuas intempéries
e de novo o dilúvio aconteceu
só que desta vez
ficaste aconchegada à minha derme
e ancoraste no meu porto de abrigo
e esquecemos as horas e os minutos
até que
abriste as tuas asas
e voaste
rumo ao teu planeta

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 6 de Junho de 2005

June 4, 2005

Movimentos orgásticos

Vem até junto de mim
junta o teu corpo ao meu
e deixa que
o desejo se apodere de nós
que as nossas línguas risquem
o espaço sideral
que a avidez dos nossos corpos
vá desaguar no teu sexo
e que os movimentos orgásticos
nos atirem
para o hexágono das tuas coxas
que o resultado desta troca
se reflicta neste pôr de sol
deixando antever
uma nova viagem
nas agora salsas ondas
dos corpos saciados

© Rogério Saviniano Telo
4 de Junho de 2005

June 3, 2005

Viagem cíclica

Maio findou-se
e um novo ciclo recomeça

A minha loucura
tomou outra direcção
dirigiu-se para o norte
e eu sou um ser do sul

Aqui começa a divisão das águas
como Moisés
caminho sobre este mar
mas não sei
nem quero saber
o percurso que esta divisão dualista
opera em mim

Só sei que a sul
deixei o meu corpo
entregue ao tempo
aguardando a tua chegada

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 3 de Junho de 2005

June 1, 2005

Maresia

Aqui
neste torrão à beira-mar esculpido
os dias arrastam-se lentamente
e os sentidos
ganham outra leitura
A ilha
é um espelho oxidado
que os ilhéus
não gostam
de nele se olhar
Este esconde-lhes a verdade
e os homúnculos
continuam a cumprir o traçado
que lhes foi imposto
pelos abutres
que gerem o tempo
A única réstea de esperança
é a morte
que lhes trará a eternidade

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 01 de Junho de 2005

May 31, 2005

À felicidade disse não

Não mais
irei visitar as serranias
que dormitam nos meus sonhos
Não mais terei o tremor
que se apoderava de mim
e me incendiava os sentidos
quando te via
Não mais
ousarei sonhar com o teu corpo
que me servia de guia
neste submundo
Agora vou abdicar
do direito de
usar a loucura
para entrar no reino dos humanos

© Rogério Saviniano Telo
31 de Abril de 2005

May 29, 2005

Emotional

As palavras adiadas
são sempre mais difíceis de chegar ao coração
Trocar palavras é fácil
difícil é suportar este silêncio
Beijar o tempo diletante
e observar o voo rasante
das andorinhas
que trazem o prenúncio do Verão
que se aproxima
e as águas cristalinas da nascente
seguem em direcção
a este mar
despido de emoções

© Rogério Saviniano Telo
29 de Maio de 2005

May 27, 2005

O silêncio do fim do dia

Debaixo deste sol ardente
refrescas as faces lívidas
porque a noite
essa fez-se
para te vestir o sorriso
que trazes como arma
para que a morte
não te encontre de borco

© Rogério Saviniano Telo
27 de Maio de 2005

Mistura de corpos com cores

A seringa penetra na carne
provocando uma trovoada de sensações
que irão se repercutir no teu âmago
e
só então te darás conta
que não foste feita
para este pesadelo
que te assola o cérebro a todo o momento
como eu queria te dizer
que te esperei
e que continuo a te esperar
para te mostrar o outro lado
onde a vida tem outras cores
que não essas
que teimosamente procuras

© Rogério Savininano Telo
27 Maio 2005

May 25, 2005

Viva la muerte

Derramo o vinho sobre o teu baixo ventre
e pressurosamente
sorvo o líquido escalarte
que escorre do teu monte de vénus
fruto tisnado pelo sol
que banha
até o limite
os contornos
da tua boca
templo sagrado
onde as espumas dos mares
encontram o começo e o fim dos dias

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 25 de Maio de 2005

May 24, 2005

Que farei com as palavras

Peguei nas palavras
e atirei-as ao ar
estas dissiparam-se
dançaram com o vento
e voltaram de novo a mim

Que farei com estas palavras
Já sei
vou juntá-las
e farei
um corolário de desejos
como se fosse
uma mantra sagrada
e depois guardá-las-ei
nos jardins perfumados
de Alexandria
Quando pressentir a morte chegando
então
de novo
irei devolvê-las
ao espaço sideral
e o vento
será o seu companheiro
de viagem

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 24 de Maio de 2005

May 23, 2005

Navegar é urgente

Quando a noite cai
gostas que te encoste o peito
e que
te marque com carne viva
És a serpente
que me hipnotiza
e deslizas
pelo meu corpo
deixando-o exaurido
e saciado
Dou-me a ti
e sugo o fio de mel
que escorre
deste tempo
que não se repetirá
Ou será
que nos banhamos por mais vezes
nas águas
deste rio incerto
onde as lagartas
parem
os dias onde navegamos

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 23 de Maio de 2005

May 22, 2005

Ao sul das tuas coxas

Longe de mim
longe de nada
vomitas
as palavras
que os vates
não se atreveram a pronunciar
Transportas em ti
as manhãs
grávidas
de nevoeiro
e as espumas
que o meu mar
derramou em ti
Estou ciado
da tua presença
Fico aguardando
que
os pássaros
tragam de volta
o sul das tuas coxas

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 22 de Maio de 2005

May 20, 2005

Guardador de Palavras

As palavras elevam-se nos ares
e despenham-se com a violência
do costume
Eu sou o aprendiz
de domador de palavras
Não é tarefa fácil
pois
umas são mais ácidas
que outras
e ferem como punhais
a todas distribuo carícias
e estas ciosas
das minhas carícias
deixam-se amansar

eu conto-as
e entrego-as aos poetas
para que
estes
cuidem delas

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 20 de Maio 2005

May 19, 2005

Locus horrendus

O meu poema
a vertigem inebriante
de saber que virás
ter ao aconchego da minha língua
e que
as nossas dermes fremirão de prazer
toda a natureza vibrará em sintonia
porque
tu és
o elo que une o sagrado
e o profano

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 19 de Maio de 2005

May 18, 2005

Angústia tingida de branco

Línguas de fogo
incendeiam o branco
onde escrevo
Este espaço torna-se opaco
e ferido de nada
Há um muro intransponível
para além deste espaço
e
aos poucos
diluo-me nesta morte adiada
sabendo que
a loucura virá ao meu encontro
e arrebatar-me-á
às águas revoltas
desta época de barbárie

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 18 de Maio de 2005

May 17, 2005

Renascer

www.thousandimages.com - Paulo Castro

A geada matinal vem de mansinho
demarcar a sua posse
por isso
encontro-te gélida sobre o manto verde
que a terra vestiu
para que tivesses
o sublime prazer
de provares o mel de Alexandria
Quando acordaste
balbuciaste palavras doces
que eu no momento
não as consegui decifrar
Hoje sei
que querias dizer
que as afluentes do teu rio
desaguavam em mim
e que nem a eternidade
nos separaria
Agora que o teu corpo
se juntou à terra que tanto amavas
deixa que
te deseje boa-noite
meu pássaro triste
que feneceste
para que eu
possa continuar
a cuidar do teu regresso

© Rogério Saviniano Telo
Funchal, 17.5.2005

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